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ABAS faz um balanço dos eventos realizados em Belo Horizonte

As águas subterrâneas foram tema de três eventos realizados pela Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS) entre os dias 14 e 17 de outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram eles: o XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, em conjunto com o XIX Encontro Nacional de Perfuradores de Poços e a VIII FENÁGUA – Feira Nacional da Água. De acordo com o presidente da ABAS, Waldir Duarte Costa Filho, o objetivo dos eventos foi trazer a tona informações relevantes como por exemplo, que 97% da água consumível no planeta é subterrânea.

De acordo com Waldir as águas subterrâneas precisam de menos burocracia e mais fiscalização. “A água é um recurso finito de indiscutível valor econômico e sua ocorrência ora é meteórica, ora está nos rios e lagos, ora está no subsolo como água subterrânea. O conhecimento científico de sua ocorrência, circulação e armazenamento em aquíferos subterrâneos é fundamental em qualquer contexto geográfico. Sua exploração por poços tubulares, seu uso racional, seu uso concomitante com atividades econômicas e sua preservação devem estar sempre na mente dos hidrogeólogos”, afirmou.

Em entrevista ao Jornal da Ciência, ele faz um balanço dos encontros realizados em BH e analisa a crise hídrica que atinge a região sudeste do País. Waldir Duarte Costa Filho é hidrogeólogo, pesquisador em Geociências no Serviço Geológico do Brasil – CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) há 16 anos, na área de águas subterrâneas, além de ter atuado na FUNCEME (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos do Estado do Ceará) por quatro anos.

Jornal da Ciência (JC) – Que balanço o senhor faz dos eventos realizados em BH?
Waldir Costa Filho - Os eventos realizados em Belo Horizonte foram excelentes, muito visitados, bem elogiados pelos frequentadores e ficarão na história da ABAS como um marco nas nossas atitudes, no nosso modo de agir dos profissionais do setor e daqueles que fazem nossa entidade. Após 35 anos de realizações de eventos nacionais, neste ano tivemos o primeiro que de fato foi aberto à sociedade, não apenas à comunidade científica e comercial de nossa área. Só no cunho profissional, nossos três eventos (XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, XIX Encontro Nacional de Perfuradores de Poços e VIII Feira Nacional da Água) foram realizados dissociados, embora concomitantes e com integração. Dessa forma, atingimos nossos objetivos e satisfizemos todos os públicos de nossa entidade, o científico, o executor e o comercial, contando com mais de 900 congressistas e mais de 1.600 visitantes.

JC – Qual foi a principal marca desses encontros?
WCF - Nosso evento foi marcado pela abertura que tivemos à sociedade, ultrapassando os limites físicos e de tempo do Congresso propriamente dito. Tivemos uma exposição paralela na Praça da Liberdade, com alguns eventos paralelos. Na exposição, tivemos um público de 25 mil visitantes, inclusive de muitas crianças, que são o futuro deste País. Essa exposição contou com material publicitário sobre a água, as águas subterrâneas, o uso racional e equipamentos dos diversos setores comerciais ligados às águas subterrâneas. Para tanto, tivemos a participação de empresas produtivas do setor que expuseram em nosso pavilhão. Além da exposição, tivemos uma caminhada urbana, um passeio ciclístico e outro de motociclistas, palestras, shows e exposição de fotografias, todos voltados à conscientização da sociedade quanto ao uso da água. Realizamos palestras gratuitas em escolas públicas como também levamos algumas escolas ao nosso Congresso. Para tanto, a parceria realizada com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, foi fundamental.

JC – Qual seria o seu destaque dentro dos eventos desse ano?
WCF -Tivemos importantes assuntos que foram apresentados em palestras e conferências e discutidos através de mesas redondas, como os temas do uso da água subterrânea para abastecimento de comunidades carentes e de grandes centros urbanos, o fator social, a necessidade de seu monitoramento, sua inter-relação com a extração de gás de folhelho (ou gás de xisto) e com o setor mineral, a gestão integrada com as águas superficiais, dentre outros. Contudo, um destaque importantíssimo foi a presença de um jovem canadense, o Ryan Hreljac da Ryan´s Well Foundation. Esse jovem, hoje com 23 anos de idade, aos seus seis anos, mobilizou, literalmente, mundos e fundos, para viabilizar a perfuração de um poço na África para matar a sede das crianças africanas. Hoje sua fundação conta com mais de 800 poços perfurados naquele continente, além de prestar assistência preventiva em relação ao uso da água nas comunidades carentes da África. Sua história de vida é muito comovente e um exemplo de vida, de solidariedade. Ele ficou em nosso evento, do dia 11 ao dia 19, participando da exposição na Praça da Liberdade e ministrando palestras nas escolas e no Congresso, além de inúmeras entrevistas.

JC – Foram importantes essas discussões, diante do momento atual?
WCF - As atividades realizadas nestes nossos eventos já estavam programadas há dois anos, assim como seca não é um assunto desconhecido dos brasileiros existindo situações muito piores, principalmente no Nordeste do País e no Norte/Nordeste do estado de Minas Gerais, porém, devido à situação atual de estiagem na região Sudeste, que atingiu a principal cidade brasileira, as discussões foram naturalmente voltando seus focos a essa situação. Assim, as discussões tiveram maior importância, o que foi extensivamente divulgado tanto em Minas Gerais como no Brasil.

JC – Já está definido o tema para o próximo ano?
WCF -No próximo ano realizaremos o IV Congresso Internacional do Meio Ambiente Subterrâneo – CIMAS na cidade de São Paulo, que tratará especificamente sobre contaminação e remediação das águas subterrâneas e aquíferos. Já em 2016, teremos a próxima edição destes eventos que realizamos neste ano, ou seja, o XIX Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas / XX Encontro Nacional de Perfuradores de Poços / IX Feira Nacional da Água, provavelmente na cidade do Rio de Janeiro/RJ ou ainda na cidade de Campinas/SP. Em ambos, as datas de realizações são por volta dos meses outubro a novembro.

JC – Qual sua análise sobre a crise hídrica que atinge a região sudeste, particularmente na cidade de São Paulo?
WCF -Tradicionalmente a região sudeste do Brasil vem recebendo contribuições pluviométricas anuais acima de 3.000 mm o que representa uma situação de conforto para a recarga dos mananciais hídricos superficiais e representa uma situação de pleno atendimento da demanda de uso da água pela população. Paralelamente à oferta de águas superficiais nos três sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo tem-se ainda a contribuição das águas subterrâneas que vêm sendo utilizadas por poços perfurados pela iniciativa privada. Também tradicionalmente o nordeste do País, sobretudo aquela área localizada na região semi-árida denominada politicamente de “Polígono das Secas” apresenta valores de precipitação que na média atingem apenas 500 mm/ano e ainda assim, a sua população vem sendo vitimada por estiagens prolongadas que chegam a atingir quatro anos consecutivos com precipitações abaixo dos valores médios o que se caracteriza pelo fenômeno da seca. O clima global da América do Sul, sobretudo nas regiões tropicais e semi-tropicais onde se localiza do Brasil, o fenômeno denominado de “efeito estufa” provocado pelas emissões de gases, resultou numa mudança climática na costa oriental denominado de “El Niño”. Esse fenômeno vem acarretando em todo o país mudanças climáticas as mais diversas como enchentes e estiagens, em regiões e épocas completamente diferentes do que vinha ocorrendo no passado. Isso justifica a forte estiagem que afetou a região sudeste, inclusive o estado de São Paulo neste ano.

JC – Há saídas possíveis para esta crise? Quais?
WCF -Com a surpresa inusitada que os gestores de recursos hídricos tiveram neste ano, não foi possível estabelecer uma programação de contenção no abastecimento d’água da população, o que teria amenizado o problema até a normalização das chuvas que deverão ocorrer nesse final de ano. Na situação atual, não há mais tempo para adoção de uma programação de minimização da estiagem, apenas se pode aumentar a explotação das águas subterrâneas dentro dos limites que os estudos hidrogeológicos da região já estabeleceram para não comprometer os aquíferos regionais. São soluções mais onerosas visto que para alcançar os aquíferos mais profundos, como o aquífero Guarani, os poços são de elevado custo.

JC – Onde estão as causas dessa crise: nas mudanças climáticas ou na má gestão dos recursos hídricos?
WCF -A principal causa da crise é a mudança climática e em função da inexperiência do órgão gestor em lidar em situações como essa, houve um retardamento na adoção de medidas que pudessem atenuar o agravamento da crise.

JC – A ABAS poderia colaborar de alguma forma na busca de soluções?
WCF - A  ABAS poderá ajudar no sentido de indicar empresas mais credenciadas para a perfuração dos poços bem como prestar orientação técnica sobre os limites da explotação visando a preservação dos aquíferos.

 

Edna Ferreira

Fonte: Jornal da Ciência | 27/10/14


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