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NA MÍDIA
Receita para poluir muita água legalmente

Água limpa no Tietê não faz sentido

 

Pense bem, jogar água mineral diretamente no Tietê? Cavar um poço e bombear sua água diretamente para o Rio Tietê pode parecer loucura, sandice. Mas isso acontece, sem interrupções, todos os dias, todos meses, todos os anos. Num desperdício sem fim. Como acontece sem que muitos de nós saibamos, não pesa na consciência. Mas deveria. Vejamos.

 

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Esclareço que quando eu menciono o Rio Tietê, faço isso por ele ser um símbolo de poluição para os paulistanos, dos quais faço parte. Mas eu poderia ter usado um outro exemplo, como Rio Pinheiros, a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Lagoa da Barra, o Rio Ganges, ou muitos outros locais tristemente famosos por sua poluição.

 

 

Cavar um poço para tirar água é quase tão antigo quanto a nossa própria civilização, que somente se desenvolveu em locais sem rios ou lagos graças aos poços.

 

 

Imagine então um poço muito grande. Seja generoso na grandiosidade de seu poço. Não limite sua imaginação a poços que eventualmente permitem a queda de cavalos ou vacas em seu interior. Esses ainda são poços modestos perto dos que eu quero que você imagine. Pense num poço de meio quarteirão de largura e de meio quarteirão de comprimento. Ou mesmo de um quarteirão inteiro. É a poços desse calibre que me refiro.

 

Eles existem, são numerosos e você pode ainda não ter se atinado para a sua existência. Mas veja, ao se construir grandes edifícios com garagens subterrâneas, inicia-se a obra pela escavação do local onde ficarão estas garagens. Escava-se um grande poço para que as garagens subterrâneas nele caibam. Muitos chegam mesmo à dimensão de um quarteirão inteiro. Shopping centers, condomínios, metrôs e muitos outros exemplos.

 

 

Como a quantidade de água que um poço produz depende de sua profundidade e de sua dimensão em área, um poço escavado para receber uma garagem subterrânea produz muita água, como se pode deduzir.

 

Na maioria dos casos, tanto durante a própria escavação do poço quanto durante a construção da obra, faz-se necessário que a água seja bombeada continuamente para se secar o local para a sua utilização. Afinal de contas, os funcionários não trabalham usando escafandros ou roupas de mergulho.

 

 

Essa água não pode ser lançada na rede de esgotos, não faz qualquer sentido. Ela deve, por lei, ser lançada no sistema de águas pluviais, seja na sarjeta, seja na tubulação diretamente. E essa água segue, por gravidade, para os pontos de deságue das águas de chuva, ou seja, o Rio Tietê, Pinheiros etc.

 

E aqui o raciocínio se fechou.

!!!

Instalações subterrâneas, principalmente aquelas localizadas em vales ou em baixios, são necessariamente bombeadas continuamente. Se você tem dúvidas e nunca observou isso, eu recomendo que você pergunte ao síndico ou zelador do edifício onde mora, ou qualquer edifício onde você eventualmente estacione seu carro numa garagem subterrânea, ou edifício de um amigo etc., e pergunte “onde fica o poço da garagem”. Você será levado para o pavimento mais inferior, mais baixo, e ali estará localizado esse poço com o sistema de bombeamento da água do “rebaixamento do lençol freático”.

 

 

Esse poço, que não deve ser confundido com um poço de captação para uso nas dependências do prédio, é usado exclusivamente para retirar água e lançar na rede pluvial. Sua funçao técnica é eliminar a pressão que a água faz nas estruturas das construções subterrâneas. Mas toda água dali retirada é lançada na rede pluvial. 

 

A loucura e a sandice, tão óbvias lá no início do texto, parecem até que já ganharam um verniz racional depois dessa explicação toda. Mas não deixa de ser maluquice o que esse verniz palidamente. Degrada-se água continuamente. Deliberadamente. Deveria ser coisa de doidos.

 

 

A água degradada dessa maneira não entra em balanços ambientais. Ela, silenciosamente, faz parte da “lógica” legal em vigor. Que faria todo o sentido caso os mencionados rios fossem limpíssimos. Mas não são e não vejo isso no horizonte de minha existência. Embora seja possível sua limpeza, como mostraram alguns países que limparam rios em menos de uma geração.

 

Preciso chamar atenção para o fato de que essa água que está sendo degradada é uma herança que deixaremos para as gerações futuras.

 

Quem degrada água deveria ser responsável por seu tratamento. Ou por alguma compensação através do tratamento de outra água. Sujou, deveria limpar. Esse é o raciocínio sustentável. Este exemplo mostra o cerne do que chamo de água sustentável. Quem degrada deve compensar. Quem trata água pode ter créditos.

Se você tiver fotos de poços deste tipo ou de lançamento de água destes poços, compartilhe conosco. 

 

Pense água limpa, pense água sustentável. Apoie essa ideia. 

 

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