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NA MÍDIA
Economize tempo: siga o caminho das pedras

Aldo mostrou o norte para os interessados em águas de poços e suas nuances. Marcou território por todos os lugares por onde passou.

Ainda hoje, para quem quer saber sobre águas subterrâneas ou somente ler uma estória de vida fascinante, deve seguir os passos do Aldo Rebouças, o maior nome das águas subterrâneas do Brasil.

Quentinho, recém saído da impressora, o livro “Humanistas e Cientistas do Brasil”, com várias biografias, acaba de ser publicado pela Edusp, depois de longo périplo, que merece ser narrado aqui.

Embora um bom leitor de biografias, nunca me passara pela cabeça escrever uma, mas não pude deixar de atender ao convite que recebi, afinal ele surgiu a partir de minha própria convivência com a ciência que hoje eu professo.

O amplo mercado que hoje envolve

dentre outras possibilidades, tinha sua semente nos cursos de pós-graduação do Instituto de Geociências da USP, num mercado então apenas seminal e potencial, liderado pelo professor Aldo da Cunha Rebouças.

E onde criou o Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas – CEPAS.  Talvez por ainda estar em construção, a página do CEPAS na web ainda não faz qualquer menção ao seu idealizador e maior promotor.

Durante muitos anos o “seu” foi o único programa de pós-graduação em hidrogeologia no país. Hoje existem vários, sendo um deles onde leciono e pesquiso hoje, na Unesp de Rio Claro, no centro de pesquisas LEBAC.

Aqueles que com o professor Aldo conviveram não puderam evitar de se contagiar pela sua simpatia e bom humor.

Sob seu carisma, muitos de nós puderam se desenvolver e ampliar o mercado de águas no Brasil. Para quem trabalha e sabe que a maioria das pessoas tem dificuldade em entender o que quer dizer o termo hidrogeologia, os resultados por ele obtidos ficam ainda mais evidentes.

Foi então que no dia 18 de abril de 2011 a hidrogeologia ficou mais triste, Aldo nos deixava.

Anúncio da Hidroplan na Revista Água e Meio Ambiente Subterrâneo, nº 21, pg. 29

As águas subterrâneas perdiam naquele momento seu grande estandarte vivo. Os “poços artesianos” ficaram sem um grande entusiasta, defensor e promotor.

Em algumas páginas, esta estória está contada no segundo capítulo deste livro que agora foi lançado.

No 22 de junho de 2011, por uma honrosa indicação de André Rebouças, filho de Aldo, recebi um convite do prof. Luiz Edmundo Magalhães, editor do livro ora lançado, para escrever uma breve biografia do Aldo (orgulho-me de poder usar um tratamento familiar).

Entre pesquisas e leituras, tive o prazer de ser recebido pela gentileza de Suzana Marcelino Rebouças, viúva de Aldo.

Sua narrativa apaixonada foi um estímulo a mais. Ao longo dos anos aprendi a apreciar as qualidades de Aldo, desde a minha graduação, pós e depois durante quase 13 anos que como professor fiz parte do mesmo departamento a que Aldo pertenceu.

No último ano de sua vida, o prof. Luiz Edmundo, sob sua concepção e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, assumiu a responsabilidade de organizar uma obra que reunisse a biografia de humanistas e cientistas do Brasil.

Com dedicação e ajuda de vários autores e colaboradores, finalizou sua obra pouco mais de um ano depois, conforme narra Helena Bonciani Nader, presidente da SBPC, 

“... Luiz Edmundo Magalhães, geneticista que dedicou o último ano de sua vida a organizar e editar os textos, que contemplam personagens nas três grandes áreas do conhecimento, as Ciências da Vida, Humanas e Exatas. No dia 18 de maio de 2012, tive a honra de receber das mãos do meu saudoso colega e amigo os originais deste livro, e apenas quatro dias depois, ele veio a falecer. Tornou-se ele próprio, um dos personagens do livro”.

 

Aldo ainda ajudou na fundação da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas – ABAS, emprestando seu prestígio para seu sucesso.

Foi na ABAS que pude medir de perto seu talento, tendo dividido com ele espaço no antigo jornal ABAS Informa, além da organização de diversos congressos e eventos.

Dentro da ABAS, criou o periódico científico Revista Águas Subterrâneas, hoje publicado eletronicamente. Hoje sou o editor deste periódico. Como podem ver, bastou que eu seguisse os passos de um gigante. Ele nos mostrou o caminho das pedras.

Caminho das pedras, siga. 

E finalmente, por ter me debruçado sobre sua vida, pude compreender muito melhor a dimensão do ser humano que tanta diferença fez para o nosso mercado de trabalho hoje estabelecido.

O livro pode ser encontrado na Livraria da Edusp (clique aqui). 

 

Reproduzo abaixo o obituário que escrevi para a Revista Água e Meio Ambiente Subterrâneo (nº 21 pp.8-9).

Aldo Rebouças (1937-2011)

Universidades não são berços naturais para empresários, mas foi em uma delas, na Universidade de São Paulo, que Aldo Rebouças usou suas qualidades para levar adiante seus grandes projetos para as águas subterrâneas do país. 

Sua empresa era a organização do mercado de hidrogeologia, cujo vasto potencial ele divisara ainda quando iniciou seus trabalhos na antiga Sudene, em Recife, onde se formou em geologia, num programa de mapeamento hidrogeológico do Nordeste.

Especializou-se em hidrogeologia na França, Strasbourg, e tornou-se pesquisador e professor do Instituto de Geociências da USP nos anos 70. Ao acompanhar o crescimento da cidade que adotou, embora fosse um cidadão do mundo, lutou para que o recurso hídrico subterrâneo fosse reconhecido e tivesse a importância que merece.

Dotado de um talento natural para o marketing do tema que lhe foi tão caro ao longo da vida, criava boutades inesquecíveis, como ao comentar os resultados de um balanço hídrico do planeta indicando que mais de 95% da água doce disponível para consumo humano era subterrânea: “o homem pisou na Lua e não sabe o que se encontra sob seus pés”.

Sobre a prevalência nacional do uso das águas superficiais em detrimento da subterrânea: “a água subterrânea não é fotogênica”.

“O problema de água no Nordeste não é de seca, é de cerca”, com base para afirmar tal coisa, afinal sua tese de doutoramento, de 1973, intitula-se “O problema da água no Nordeste do Brasil”.

Aldo era aquela figura rara nas universidades, capaz de vender idéias excelentes e as transformar em projetos onde se concentravam recursos de fontes distintas para sua execução.

Montou um centro de pesquisas de águas subterrâneas dentro da universidade que teve seu apogeu em suas próprias mãos, quando alunos de várias partes do país e de outros países trabalhavam em pesquisas que contavam com a estrutura de campo e oficinas com pessoal treinado.

Muitos colaboradores desfrutaram de sua capacidade promocional. Universidades não são empresas, montar e continuar grupos envolvidos com o tema não é tarefa simples.

Aldo desfrutou de pesquisadores nacionais e internacionais, mas não conseguiu arregimentar novos talentos empresários para continuação de seu modelo, que acabou passando, congelado após sua ausência.

Embora criticado por muitos como pesquisador dentro das próprias universidades, sua capacidade de gerar instrumentos para a realização de pesquisas por outros pesquisadores não deve ser minimizada, ao contrário. Deve ser enaltecida como exemplo para que as universidades estimulem talentos empresariais na área de pesquisa, não somente pesquisadores individuais talentosos.

Participou como fundador da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, tendo sido seu presidente por duas gestões distintas, emprestando seu prestígio pessoal para a consolidação da ABAS, cuja reputação e evolução ele sempre cuidou de perto.

A produção de água, a capacitação de empresas de prefuração para a realização de trabalhos de qualidade, afinal “um poço não é um buraco no solo”, refletem as preocupações do país em desenvolvimento da época.

Uma dificuldade significativa dentro de uma instituição de geólogos de rocha dura (rochas ígneas e metamórficas), onde “geólogos de rocha mole (sedimentar) já não eram bem vistos, geólogos que cuidam de água então...”.

Foi acompanhado de perto por uma geração de talentos que participam da vida da água subterrânea nacional e dos nossos recursos hídricos como um todo, levando adiante essa bandeira comum.

Viu em vida a semente da preocupação com as águas subterrâneas finalmente brotar na ANA, Agência Nacional de Águas.

Estimulou a área de hidrogeologia de contaminação, que não era especialista, atestando sua dedicação através da formação de seu filho, hidrogeólogo atuando nessa área.

Com seu talento natural para o marketing pessoal, sempre trabalhou para o bem comum dentro das águas subterrâneas, com a sabedoria de que só se tem a ganhar onde todos ganham.

 


 

 

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