HOME EMPRESA SERVIÇOS BLOG HACADEMY CURSOS NA MÍDIA PUBLICAÇÕES AGENDA CONTATO
Buscar  
NA MÍDIA
Minha avó já bebia

Rios e corredeiras, cachoeiras e cascatas. Nada disso, as águas que andam pelo meio ambiente subterrâneo e que são captadas por poços rasos ou profundos, jorrantes ou não, são calmas e lentas.

A velocidade típica da água subterrânea é da ordem de poucos metros por ano. Isso significa que a água subterrânea abaixo de onde você se encontra neste momento, estava apenas a alguns metros de distância deste mesmo ponto no ano passado. Somente alguns poucos metros, 5 ou 10 metros talvez. Esses são valores típicos. Águas mais lentas andam menos, centímetros por ano. Sim, essas águas no ano passado encontravam-se a menos de um passo de onde você está nesse momento. E águas rápidas podem andar mais, dezenas de metros por ano, essas estariam no quarteirão anterior. Casos extremos de alta velocidade existem, são aqueles onde a água não se encontra em um meio poroso, como os meios de rocha fraturada ou os canais de dissolução em calcário (cavernas). Nesses casos temos verdadeiros canais de condução de água, que fogem às velocidades típicas.

Águas lentas são típicas de material mais argiloso, que apresenta baixa permeabilidade e conduz a água com dificuldade. Águas rápidas são águas típicas de material arenoso, areia limpa ou ainda cascalhos limpos. Os solos de alteração, em geral, apresentam uma permeabilidade intermediária.

E algumas consequências advindas dessa baixa velocidade precisam ser consideradas ao se pensar em água de poço, água subterrânea. A primeira consequência é que uma contaminação que tenha atingido a água subterrânea vai ser transportada lentamente por esta, a pluma de contaminação gerada vai se mover lentamente. Isso provoca uma vantagem relativa, pois vai demorar para que um vizinho ou receptor localizado a alguma distância seja atingido pela contaminação, o que não ocorreria se ela fosse em um rio, que se move com rapidez. Essa vantagem relativa se desfaz de pensarmos que serão muito lentos os tratamentos dessa água subterrânea e, por extensão, o meio poroso (solo, por exemplo) também contaminado, lentidão proporcional à baixa velocidade da água no meio.

Outra consequência importante é que não existe turbulência no fluxo dessa água. Sem turbulência, a mistura fica muito limitada, quase desprezível em muitos casos. Um bom exemplo seria o caso de um vazamento de etanol. Todos sabemos que etanol mistura completamente em quaisquer proporções com a água. Entretanto, em meio ambiente subterrâneo, ele ficará flutuando sobre a água, como um LNAPL (leia post anterior), sem se misturar com a água. Claro que temos dificuldade de observarmos isso num poço de monitoramento ou de bombeamento, pois ao amostrarmos ou bombearmos esses poços promovemos a turbulência necessária para que a mistura entre a água e o etanol ocorra.

Como a água do planeta é a mesma desde sua origem, pelas suas baixas velocidades as águas minerais obtidas de poços profundos foram armazenadas por chuvas que ocorreram a dezenas, centenas ou mesmo milhares de anos. Ao ir até o bebedouro mais próximo você poderá estar ingerindo água de chuva que seus bisavós presenciaram. Ou seus tátara-tátara-tátaravós.

Calmas e lentas, assim são as águas subterrâneas. Devagar se vai ao longe. 

 

 

Av. São Camilo, 476 | Granja Viana | São Paulo | SP | Fone: (11) 4612-0480 | 4612-1124 | 4612-2389 | 4612-9673 | hidroplan@hidroplan.com.br
© 2017 HIDROPLAN - CG PROPAGANDA