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NA MÍDIA
Danos ambientais da corrida de lama da Samarco

Grandes tragédias geram momentos de reflexão técnica e o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, não é exceção. A defesa técnica inicial propõe que a lama é inerte, conforme definida pela norma de caracterização resíduos (ABTN 10.004). Entretanto muitos resíduos inertes podem gerar problemas ambientais e o momento oferece uma ótima oportunidade para se mensurar de fato quais os problemas advindos desse grande derrame de lama.

O potencial poluidor da lama foi estudado por Pires et al. (2003), que concluíram que o material que compõe o rejeito de mineração de ferro formador da lama é inerte (Classe 2b) e que ainda há indicações não comprovadas de que o mineral goetita (principal mineral que contém ferro no minério) pode ter capacidade de retenção de metais pesados. Auspiciosa, essa indicação pode ser traduzida para quem não é técnico, como uma capacidade de manter os metais perigosos como chumbo, cromo, cádmio, que são extremamente tóxicos, retidos nos sólidos da lama, não ficando disponíveis na água e, portanto, não sendo facilmente levados ao contato humano. Mas como o documento conclui, isso é uma indicação, inexistindo uma confirmação científica deste fato, que poderia muito bem ser realizada neste momento que a necessidade da tragédia torna praticamente imperativa.

A lama que se espalhou pela superfície de grande área de terra, ainda que inerte, é praticamente imprestável para o cultivo do solo. Conforme discutido por Silva et al. (2006),  os materiais estudados evidenciam altas limitações químicas e físicas par ao seu uso em revegetação (...), isto, principalmente devido aos baixos teores de macro e micronutrientes, alta densidade do solo e baixa retenção de água. Portanto sua distribuição em superfície não é bem vinda para a vegetação das áreas atingidas e seu impacto ainda deverá ser mensurado ao longo dos anos vindouros.

Finalmente, nesta discussão rápida, há que se considerar o impacto eventual de uma demanda de oxigênio, embora a cor vermelha da lama indique a presença de ferro oxidado, a existência de material disponível para oxidação no rejeito de minério pode ocasionar um consumo do oxigênio dissolvido, tanto nas águas superficiais quanto nas subterrâneas. As águas superficiais, na maioria dos casos, já mostram visualmente sua degradação. Já as águas subterrâneas necessitam de investigação para o conhecimento de eventuais impactos que essa corrida de lama possa ter causado, uma vez que alterações podem liberar compostos químicos antes não presente nessas águas, gerando impactos não conhecidos.

Grande problema, grande oportunidade para se aprender e para se evitar que essas tragédias se repitam. Melhor agir agora. 

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